Ai meu Deus!! É ele, são eles!!!! O que devo fazer? Paro, falo? Não, não, não tem muita gente. É melhor eu apressar o passo, talvez assim ninguém perceba. A menina do violão, a menina do violão está me olhando, ela me conhece? Ele falou sobre mim, por isso ela está me olhando, é isso. Desvio o olhar e foco em outro lugar fingindo que não percebo nada ao meu redor. Parece que ela ainda está me olhando. Passo direto, vou ao banheiro, me sinto tão desarrumado!!! Desço para o laboratório, “sala 14, por favor” ando, entro, sento, ligo o PC e ainda não me conformo de não ter ido falar com eles. Em minha caixa de e-mail milhares de mensagens sobre trabalho me lembram que preciso estudar, mas como? de que maneira? Sem pensar, movido por um impulso, faço logoff, me levanto e caminho em direção aqueles personagens que estão ali à mesa. Derrepentemente, o medo me assalta e recuo “espera!! é melhor eu dar a volta isso, isso se eu der a volta a possibilidade dele me reconhecer aumenta e assim vai parecer natural” Ledo engano!!!!
A conversa ao redor da mesa parecia pertencer a outra atmosfera. Ao aproximar formulo alguns tópicos de conversa para não haver aqueles momentos em que ninguém sabe o que dizer e o silêncio soa como um convite de ir embora. Chego, finalmente, “oi”, sempre muito educado me recebem bem, sou apresentado como a segunda vítima do Stalker. A partir de então, começo a falar desenfreadamente, temendo o tal silêncio. Percebo tudo ao meu redor. Enquanto falo, o menino do banco se inclina levemente para frente se mostrando interessado no assunto. Logo após, sou convidado a me juntar a mesa. Me viro, pego uma cadeira e me sento junto deles.
A menina do Ipod não me dá atenção, ninguém tira da minha cabeça que ela abaixava o som para ouvir o que estava acontecendo. A menina do violão, indiferente, Superior, prosseguia com suas melodias, se bem me lembro mi e lá menor faziam parte da trilha sonora do momento, ela também, ora ou outra, consultava um caderno que estava sobre a mesa, acho que não havia acordes apenas a letra de alguma música de sua própria autoria. Do lado do menino do banco, estava sentado a menina do belo par de olhos verdes e com um sorriso no canto da boca parecia participar da conversa mesmo sem dizer uma palavra, foi a que me deixou mais a vontade no primeiro momento. Isso tudo acontecendo e eu brigando com as palavras para manter a conversa com o menino do banco. O tempo passou, e era hora de subir pra aula, achei estranho estava cedo ainda, foi quando me lembrei que um dia eu também chegava cedo nas aulas.
Bem, a experiência foi boa, o resultado positivo (acho que sim, ao menos pra mim) o final marcado com um leve desespero de saber o que passava em suas cabeças, que música ouvia a menina do Ipod? Que acordes eram aqueles que a menina do violão tocava? o que estava escrito no caderno? Que sentido teria aquele sorriso no canto da boca? O que o menino do banco estava pensando sobre mim? É melhor deixar prá lá... faz tanto tempo mesmo.
Dedico esse texto para todos os participantes daquela mesa!!!!